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Com o objetivo de celebrar o aclamado compositor brasileiro Cláudio Santoro, a organização do concurso estabeleceu que o programa executado pelos alunos deveria, em primazia, trazer uma composição de Cláudio Santoro para a avaliação dos candidatos.

O amazonense, Cláudio Santoro, foi compositor, maestro, violinista e educador, considerado um dos mais prolíficos e inquietos compositores da música brasileira no século XX, possuindo em seu catálogo mais de 600.

Conheça mais sobre o homenageado:

Nascido em Manaus (AM), no ano de 1919, Cláudio Franco de Sá Santoro foi um notório compositor, maestro, violinista, crítico e educador. Considerado um dos mais prolíficos compositores da música brasileira no século XX, sua obra musical permeia as mais variadas tendências estéticas evidenciadas na música erudita internacional de sua contemporaneidade.

O conjunto de sua obra musical contempla mais de 600 composições distribuídas entre ópera, 14 Sinfonias, obras para instrumento solo, de Câmera, músicas eletroacústicas e Cinema. Sua obra para piano é uma das mais ricas já criadas para o instrumento no Brasil, expressada por mais de 100 peças em que abarca obras solo, duos, trios, obras para canto e piano, obras para piano e fita magnética, além de três concertos para piano e orquestra.

Em 1946, fora contemplado com bolsa da Fundação Guggenheim para estudar em Nova Iorque. Entretanto, por questões ideológicas, seu pedido de visto é negado para entrada nos Estados Unidos. Em contrapartida, sob a recomendação do maestro francês Charles Munch, obtém bolsa da Embaixada da França e parte para a Europa a bordo do Groix, o “navio mais lento do mundo”. Vinte e quatro dias de travessia em terceira classe levam-no à Paris, onde estuda composição com Nádia Boulanger e Eugène Bigot, e ainda inicia estudos de música para o cinema.

Em 1947, um júri composto por Igor Stravinsky, Serge Koussevitzky, Aaron Copland, Walter Piston e Nadia Boulanger atribui-lhe bolsa da Fundação Lili Boulanger. Santoro participa ativamente da vida musical na Europa, porém, uma vez mais, por seu posicionamento político, encontra hostilidades no Velho Continente e retorna ao Brasil, que também fora marcado por um período difícil. No ano de 1950, passa a trabalhar como compositor na rádio Tupy. Então escreve sua famosa obra para orquestra de cordas: Canto de Amor e Paz, que é estreada com a Orquestra Sinfônica Brasileira, em 1951. Subsequentemente, em Viena, o Conselho Mundial da Paz confere à partitura o Prêmio da Paz (1952). Nesse ano, a obra é executada em Salzburgo e nos Festivais de Maio, em Praga. Em 1954, Santoro a rege no Brasil, para gravação em LP. Esta obra marca a ruptura do compositor com alguns estilos, dando maior importância para uma linha melódica de conteúdo realista inspirada em características da música popular brasileira.

Retorna novamente à Europa para o Congresso de Compositores da URSS. Sua turnê pelos países socialistas resultou em inspiração para composição de muitos prelúdios e canções.

Como incentivador e educador musical, destacam-se a fundação do Curso Superior de Música da Universidade de Brasília (1964). Casa-se com Gisèle Santoro, bailarina e coreógrafa de Brasília. Devido ao período do regime militar, exila-se na Alemanha, onde obteve desenvolvimento estético marcado por profícua inventividade e experimentação em sua música. Foi convidado pelo Governo da Alemanha para o Programa “Artista Residente de Berlim” (1966-1967) e por várias vezes pela Fundação Brahms para Artista Residente da Casa de Brahms (BadenBaden). Entre 1970 e 1978 foi nomeado Professor de Regência e Composição, Diretor da Orquestra e do Departamento de Músicos de Orquestra da Escola Superior de Música e Artes Cênicas Heidelberg-Mannheim (Alemanha).

Retorna ao Brasil em 1978 e retoma projetos que ficaram represados durante seu período de exílio, dentre eles a criação da Orquestra do Teatro Nacional Claudio Santoro (OTNCS).

Na data de 27 de março de 1989, em plena regência durante o ensaio geral do concerto em homenagem ao Bicentenário da Revolução Francesa, em Brasília, Claudio Santoro perde sua vida.

Claudio Santoro recebeu “post mortem“, em 2002, o título de “Cidadão Honorário de Brasília” da Câmara Legislativa do Distrito Federal. E em 2009, sua obra musical e pictórica foi tombada pelo Governo do Distrito Federal.